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Tipos de câncer de mama e a relação com o fator hereditário

O histórico familiar é importante para se estimar a probabilidade de incidência de câncer em uma pessoa. Uma das dúvidas que ocorre entre as pessoas, no entanto, é se essa história familiar é determinante: se a mãe sofreu com a doença, a filha também passará pelo mesmo?

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo de maior incidência no público feminino no Brasil, se desconsiderarmos os cânceres de pele não-melanoma. A perspectiva para o triênio 2020-2022 é de 66 mil casos.

Entender se a hereditariedade é determinante para o surgimento de tumores nos familiares é fundamental para a orientação médica aos pacientes, para a prevenção de doenças nestes ou mesmo para o tratamento do câncer de mama

Câncer de mama é hereditário?

Primeiramente é importante entender que nenhum ser vivo está livre do câncer. Quando se fala do câncer de mama, o fator hereditariedade é muito importante, mas não determinante. 

Tipos de câncer de mama.
A maioria dos casos de câncer de mama acontece após os 50 anos e o principal fator de risco é o envelhecimento. A taxa de surgimento aumenta progressivamente dos 40 aos 70 anos — antes disso, a incidência é de menos de 10%.

O estilo de vida interfere nessa incidência do câncer e pode influenciar no surgimento da doença: consumo de bebidas alcoólicas e sedentarismo, por exemplo, são considerados fatores de risco; enquanto amamentar é considerado um fator protetor. 

Em muitos casos, a paciente não tem um fator de risco etário ou ambiental conhecido, mas possui uma predisposição a desenvolver a doença que tanto pode ter sido herdada, quanto pode ter surgido na paciente, na ausência de histórico familiar. Quando uma mulher ou um homem apresentam câncer de mama, recomenda-se aconselhamento genético, que pode ser realizado por um médico geneticista ou oncogeneticista.

O fator-chave é a predisposição genética. Pode acontecer de uma pessoa ter câncer de mama porque herdou essa predisposição de um dos pais, mesmo que este familiar não tenha sido acometido pela doença. Isso porque predisposição é diferente de determinação. 

Quais os tipos de câncer de mama mais comuns?

A mama é formada por um conjunto de lobos que, por sua vez, se dividem em lóbulos – glândulas que secretam o leite produzido pelos ácinos; e ductos – canais que conduzem a secreção leitosa mamária para o exterior. 

Todas essas estruturas são envolvidas pelo estroma, conjunto de tecido adiposo e tecido conjuntivo que também protege vasos sanguíneos e linfáticos. O câncer de mama pode se iniciar em um lóbulo ou ducto, podendo alcançar o estroma.

No geral, os tipos de câncer de mama se diferenciam por sua localização e comportamento.

Carcinoma ductal in situ 

É o tipo de câncer de mama que se localiza no ducto mamário e não se estende para o lóbulo e para outros tecidos – “in situ” é uma expressão do latim para “no local”. 

Quando removido a tempo, ou seja, antes de se tornar invasivo, o carcinoma ductal in situ tem até 98% de chances de cura.

Neste tipo de carcinoma, o cirurgião remove todo o tumor e mantém margens livres como proteção. Em geral, opta-se pela quadrantectomia (cirurgia conservadora da mama), enquanto lesões extensas costumam exigir mastectomia (remoção da mama).

Carcinoma ductal invasivo

É o tipo mais comum de câncer de mama. Inicia-se no ducto mamário e cresce até o tecido adiposo da mama. Pode se disseminar para outras partes do organismo pelo sistema linfático e circulação sanguínea (metástase).

Carcinoma lobular in situ

É o tipo de câncer que surge nos lóbulos da mama. Há dois tipos: o clássico e o pleomórfico. 

O carcinoma lobular clássico não é invasivo, mas apresenta risco aumentado de se desenvolver na outra mama. Já o pleomórfico dá origem a um câncer invasivo. Quando detectado, é removido cirurgicamente.

Carcinoma lobular invasivo

Começa nos ductos mamários, mas se dissemina pelo estroma e pode atingir outras partes do corpo. É o tipo mais provável de ocorrer em ambas as mamas. Geralmente causa menos sintomas, o que dificulta o diagnóstico. 

Câncer de mama inflamatório

Mais raro, o câncer de mama inflamatório deixa a pele da região com aspecto de casca de laranja. O diagnóstico é mais difícil, pois muitas pacientes acreditam que se trata de uma dermatite.

Diagnóstico e tratamento do câncer de mama

No meio médico, o que se recomenda atualmente à paciente é o autoconhecimento, não o autoexame sistemático das mamas, que era orientado há alguns anos. Isso porque, infelizmente, as mulheres não tinham conhecimento sobre as características da própria mama e se assustavam com a heterogeneidade normal do tecido mamário.

O exame clínico — feito pelo médico — e a mamografia permitem a suspeita de câncer de mama, mas o diagnóstico só pode ser confirmado por meio do anatomopatológico (biópsia).

A época mais recomendada para se fazer o exame clínico é por volta de sete dias após a menstruação, quando as mamas já não estão mais edemaciadas, fenômeno comum no período pré-menstrual para muitas mulheres. 

Como o EndoPredict e o câncer de mama se relacionam?

EndoPredict é o exame que avalia o risco de desenvolvimento de metástase em um determinado tipo de câncer de mama e a necessidade de se realizar quimioterapia.

Existe um tipo de neoplasia de mama que se chama HER2 positivo. Quando essa proteína (HER2) é positiva, o teste não pode ser realizado. Nesse caso, além da quimioterapia, a paciente fará uso de um tratamento com imunoterapia (trastuzumabe).

No tratamento do câncer de mama com receptores hormonais positivos e que não expressam a proteína HER2 (HER2 negativo) com ou sem linfonodos, um dos grandes desafios é saber se a paciente tem risco de desenvolver metástase. Esta análise é fundamental para identificar se a paciente vai precisar de quimioterapia ou não.

Cerca de 65% das mulheres, contudo , apresentam câncer de mama do tipo positivo para receptor de estrógeno (RE+) e negativo para HER2, marcadores que aumentam o risco de metástase, podendo ser testadas com EndoPredict. 

Tipos de câncer de mama. O teste EndoPredict é capaz de classificar a paciente como baixo ou alto risco; e indicar a real necessidade da quimioterapia, baseado na genômica e utilizando os fatores clínico-patológicos.

Para fazer essa determinação, o teste conta com uma pontuação chamada de EPclin, que combina pontuação molecular, os fatores de risco clínicos, tamanho do tumor e o status nodal.

Pacientes que são classificadas pelo teste como de alto risco (EPclin alto risco) têm grande benefício da quimioterapia. Já as de baixo risco (EPclin baixo risco), não serão beneficiadas pelo tratamento, e podem seguir somente com a hormonioterapia. Com isso, o teste EndoPredict evita que as pacientes de baixo risco sofram os efeitos colaterais da quimioterapia desnecessariamente.

Publicado por: Dra. Thereza Cavalcanti

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