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Síndrome de Down (Trissomia 21): Características e os exames que preveem antes do bebê nascer

Com uma incidência média de 1 a cada 700 nascimentos no Brasil (o que totalizaria 270 mil pessoas), a síndrome de Down é uma patologia cromossômica relativamente comum no país. Para mulheres com mais de 35 anos, entender a probabilidade de gerar uma criança com a condição é se preparar para oferecer qualidade de vida desde a infância.

Atualmente, o aconselhamento genético pré-concepção é a melhor forma de ter essa resposta. Entenda o que é a síndrome de Down e outras questões relacionadas ao tema.

O que é síndrome de Down?

É a síndrome originada por uma alteração no número de cromossomos (cromossomopatia) do feto mais comum em humanos. Normalmente, um indivíduo tem duas cópias de cada cromossomo — um herdado do pai e outro da mãe. No caso da pessoa com síndrome de Down, há 3 cópias do cromossomo 21. Esse erro de divisão ocorre quando a divisão celular resulta em material genético extra.

A cópia extra do cromossomo leva a um desequilíbrio na expressão dos genes, o que resulta em quadro clínico com malformações, características faciais específicas e deficiência intelectual.

O nome “Down” é uma homenagem a John Langdon Down, médico britânico autor de um extenso trabalho com crianças portadoras de deficiência mental e primeiro a descrever os sinais característicos da pessoa com a síndrome. Já o descobridor da alteração cromossômica que origina a trissomia 21 e grande defensor da vida da criança com Down foi Jérôme Jean Louis Marie Lejeune.

É possível evitar a síndrome de Down?

O aconselhamento é uma consulta com um médico geneticista para saber, por exemplo, quais são os riscos de ter um filho com alguma complicação genética, havendo história prévia ou não na família. Já para mulheres gestantes acima de 35 anos, pode-se observar se o feto vai nascer com algum distúrbio específico. A partir dessa idade, a taxa de fertilidade feminina cai de maneira drástica. Com isso, há um maior risco de oócitos com alterações cromossômicas.

O aconselhamento genético pré-concepção é uma abordagem para a prevenção primária de diversas doenças genéticas. Isso porque, para uma potencial prevenção, saber o seu risco é o primeiro passo. 

Com o aconselhamento, é possível observar a probabilidade de que a criança apresente algum tipo de distúrbio genético, incluindo síndrome de Down. A partir deste conhecimento o paciente pode escolher como seguir em relação ao futuro da formação de sua família. 

O aconselhamento é imperativo principalmente para aqueles casais sabidamente portadores de translocação robertsoniana, uma forma comum de rearranjo cromossômico que ocorre nos cinco pares de cromossomos humanos acrocêntricos (centrômero está mais próximo das extremidades do que do centro) 13, 14, 15, 21 e 22. Nesse caso, o portador da síndrome de Down tem 46 cromossomos, mas o 21 está incorretamente unido a outro, criando um cromossomo anormal, mas não extra.

Apenas 4% dos casos de síndrome de Down são causados por translocação.

Qual a probabilidade de ter um filho com síndrome de Down?

Isso varia com uma série de fatores, que devem ser analisados individualmente. O cálculo de risco leva em consideração a história pessoal e familiar de cada potencial genitor.

Sabe-se que a idade materna avançada, definida acima de 35 anos de idade, favorece a não disjunção meiótica que pode levar a formação de embriões aneuploides, entre eles com trissomia 21. 

A não disjunção meiótica ocorre quando a célula se divide por meiose ou mitose e não ocorre a separação dos cromossomos homólogos (que formam um par. Isso formará uma célula ou gameta com material genético a mais ou a menos, dependendo do caso.

Este risco é de 1/100 aos 35 anos de idade e aumenta de forma exponencial com o avanço da idade da mãe. 

Qual exame detecta a síndrome de Down?

Durante o pré-natal, a gestante passa por exames que podem predizer o risco de um bebê ter síndrome de Down. Estes exames — que não são diagnóstico, e sim de triagem — são:

  • US morfológico | O famoso ultrassom serve para acompanhar a saúde e o desenvolvimento do feto durante toda a gestação. Por isso, deve ser feito durante todos os trimestres;
  • Dosagem bioquímica | É um exame que se refere a marcadores específicos, como alfa feto, proteína, PAPP-P e estriol livre.  
  • NIPT (sigla em inglês para teste pré-natal não invasivo) | Exame de sangue simples que, além de detectar o sexo do bebê, visa a avaliar o risco de doenças cromossômicas. 

Ainda durante o pré-natal, existem exames que podem ser realizados para o diagnóstico da síndrome. Geralmente, ocorrem a partir da coleta de uma amostra de forma invasiva — seja por biópsia dos vilos coriônicos, seja por coleta de líquido amniótico. Isso varia conforme a idade gestacional:


Cariótipo

É o exame que, por meio da cultura dos cromossomos, analisa o material genético e estuda a quantidade e formação estrutural dos cromossomos. 

Para pré-natal, o cariótipo é indicado  para gestantes de alto risco com alterações no ultrassom ou NIPT de alto risco. 

Mas também há casos específicos, como genitores com rearranjo cromossômico ou feto anterior com anomalia cromossômica.

Array genômico

Os exames CGH-array e SNP-array permitem examinar os cromossomos com uma resolução muito maior do que o cariótipo. 

Utilizando DNA (geralmente extraído de sangue ou de mucosa bucal/saliva), eles avaliam ganhos ou perdas de pedaços cromossômicos. 

O array genômico é capaz de identificar alterações  aproximadamente 1000 vezes menores do que é possível ao microscópio, no teste de cariótipo.

Aconselhamento genético na prevenção da síndrome de Down e outras

O aconselhamento genético deve ser realizado por um profissional treinado e capacitado, que será responsável pelo momento da notícia — a hora em que os genitores são informados sobre a probabilidade de que uma criança gerada pelo casal seja portadora da síndrome de Down. 

Esse momento deve ocorrer logo após o diagnóstico do paciente. Todas as informações devem ser dadas de forma clara e empática.

No pós-natal, o diagnóstico da pessoa com síndrome de Down é realizado de forma clínica, por meio da avaliação morfológica por um profissional experiente. O cariótipo é solicitado para guiar o aconselhamento genético da família.

Publicado por: Dra. Thereza Cavalcanti

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