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Saúde do idoso e cuidados necessários na administração de medicamentos

Cuidar da saúde do idoso é essencial para garantir qualidade de vida e longevidade.  

É natural que o sistema imunológico fique mais fragilizado com o avançar da idade e os idosos fiquem mais suscetíveis a algumas doenças. Há ainda os casos de doenças crônicas na velhice que compartilham fatores de riscos comuns, como o uso excessivo de álcool e tabaco, dietas não saudáveis, alto índice de massa corporal e falta de atividade física. Com isso, é comum que façam uso de diversas substâncias medicamentosas, como remédio para depressão e ansiedade, diabetes, hipertensão, entre outras. 

Pessoas diferentes respondem de forma diferente às mesmas drogas. Estima-se que entre 30 e 60% de todos os efeitos colaterais poderiam ser previstos e evitados. 

Ao mesmo tempo, nos idosos as reações adversas tendem a ser mais severas com a interação medicamentosa, inclusive com maiores taxas de mortalidade. Dentre os fatores contributivos mais impactantes neste grupo de risco, podemos citar a função orgânica diminuída, as múltiplas doenças frequentemente associadas, a alta taxa de uso de vários medicamentos e as próprias alterações na farmacocinética e farmacodinâmica decorrentes da idade. Neste contexto, é imperativo que os remédios tomados por esta população sejam constantemente reavaliados e que se tenha em mente que a possibilidade de que cada indivíduo tenha ao menos uma alteração genética capaz de modificar a resposta esperada ultrapassa os 80%. Assim sendo, e por ainda tomarem as suas decisões terapêuticas calcadas principalmente no método da tentativa e erro, não infrequentemente os médicos que se dedicam aos cuidados dos idosos se encontram diante de uma alta carga de trabalho e estresse. 

A boa notícia é que a medicina e os seus conhecimentos científicos vêm evoluindo de forma muito consistente, e mundo afora já existem programas calcados em tecnologias disruptivas como os Testes Farmacogenômicos, que estão inseridos dentro da realidade da Medicina de Precisão. Elas servem justamente para apoiar e melhorar os resultados das decisões médicas, como é o caso do Programa de Todo Cuidado Inclusivo para Idosos, nos EUA (PACE).  

O que é ser idoso?

São considerados idosos, as pessoas com 60 anos ou mais. Segundo os dados fornecidos pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – atualmente há cerca de 29 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais.  

A OMS estima que, em 2025, o Brasil será o sexto país do mundo com o maior número de pessoas idosas. 

Medicamentos inapropriados podem ser um risco à saúde do idoso 

Os medicamentos percorrem uma jornada complexa pelo corpo, desde o momento da administração, até fazerem seu efeito terapêutico e serem excretados. 

A senescência pode afetar a forma como o medicamento é absorvido, usado, metabolizado e excretado. Mudanças que diminuem a capacidade do metabolismo e excreção podem significar um tempo maior de permanência do fármaco no organismo. Tais mudanças, muitas vezes, fazem com que as doses dos medicamentos tenham que ser ajustadas ou que a via de administração seja modificada para que, assim, o idoso não corra riscos desnecessários. Geralmente, o médico inicia o tratamento com uma dose menor que vai sendo aumentada até que o efeito terapêutico com o mínimo de efeitos colaterais seja atingido.  

Estudos também mostram que certos medicamentos são menos seguros para pessoas idosas, principalmente quando estas fazem uso da polifarmácia. A Sociedade Americana de Geriatria padronizou cinco critérios que padroniza o uso de medicamentos em idosos. AGS Beers Criteria® (2019) é dividido em cinco critérios que contém medicamentos possivelmente inapropriados (MPIs) que são tipicamente evitados nos idosos na maioria das circunstâncias ou em situações específicas, como em certas doenças ou condições.  

  • Os critérios são:
  • medicamentos que são potencialmente inapropriados na maioria dos idosos;
  • aqueles que normalmente devem ser evitados em idosos com certas condições;
  • medicamentos para serem usados com cautela;
  • interações medicamentosas;
  • ajuste da dose do medicamento com base na função renal. 

Quais os cuidados necessários na administração de medicamentos?  

Muitos idosos apresentam mais de uma condição médica ao mesmo tempo. Frequentemente, lidar com várias doenças pode significar que o idoso pode precisar de muitos medicamentos diferentes. 

Quando os idosos tomam cinco ou mais medicamentos, isso é chamado de “polifarmácia”. Com a polifarmácia, os medicamentos podem interagir uns com os outros e com o organismo de formas prejudiciais. Por exemplo, os medicamentos podem aumentar os efeitos adversos ou diminuir os benefícios. Por esse motivo é importante o médico e o farmacêutico sempre identificarem quais medicamentos o idoso usa, incluindo os fitoterápicos e os de venda livre além de suplementos e vitaminas. 

A polifarmácia aumenta a possibilidade de uma “cascata de prescrição”. Uma cascata de prescrição ocorre quando um efeito colateral de um medicamento é confundido com uma nova condição médica e, em seguida, tratado com outro medicamento. Isso pode levar à prescrição de mais medicamentos do que o necessário aumentado ainda mais o risco de ter mais efeitos colaterais e continuar a cascata. Portanto é importante que o médico e o farmacêutico revisem periodicamente todos os seus medicamentos usados pelo idoso. 

A dose do medicamento, bem como as informações sobre a eficácia e os efeitos colaterais dos medicamentos, são geralmente determinados por estudos feitos em pessoas relativamente jovens e saudáveis. Esta informação pode não se aplicar a idosos, porque à medida que o envelhecimento acontece, o processamento dos medicamentos se modifica. Ou seja, os corpos dos idosos reagem de maneira diferente de uma criança, por exemplo. 

O processo de envelhecimento, junto com as condições médicas, geralmente afeta a resposta ao tratamento e acentua alguns efeitos colaterais. 

Além disso, os efeitos dos medicamentos podem ser afetados por alimentos, bebidas, suplementos ou até mesmo outros medicamentos, quando tomados ao mesmo tempo. Por exemplo, alguns antibióticos não são bem absorvidos quando tomados com alimentos, bebidas ou medicamentos que contenham cálcio, magnésio ou ferro (como antiácidos, vitaminas ou laticínios). Certos alimentos, como o suco de toranja, também podem alterar o metabolismo de certos medicamentos. Isso pode fazer com que o medicamento se acumule no corpo. 

Escolher o antidepressivo mais adequado pode contribuir para a saúde mental do idoso 

Saúde do idoso: cuidados na administração de medicamentos

A escolha do melhor antidepressivo é estudada de forma individual, uma vez que cada pessoa processa os medicamentos de forma única. Isso acontece, pois, o organismo metaboliza o medicamento com base no DNA, estilo de vida e hábitos de consumo da pessoa. 

A fim de conseguir os resultados esperados através do medicamento, é necessário avaliar o DNA do paciente juntamente com os outros fatores citados acima.  

Para auxiliar nesse processo, é recomendado realizar o teste farmacogenômico PharmOne. Ele direciona a terapia medicamentosa ideal para cada caso específico. 

Como funciona o exame PharmOne da Geneone?

Painel farmacogenético (PharmOne), é o exame cujo objetivo é analisar qual medicamento é a melhor opção para o tratamento do paciente. Ele não analisa apenas o DNA, mas também o perfil metabólico juntamente com as variáveis que influenciam a maneira do corpo responder os remédios. 

Além disso, o exame faz o levantamento de dados sobre informações genéticas, estilo de vida, uso de outros medicamentos e hábitos de consumo do paciente. 

Com esse procedimento, é possível determinar um tratamento eficaz, mais seguro e com menos efeitos colaterais. 

A coleta é feita por uma amostra de sangue ou saliva, que são levadas para laboratório a fim de analisar os genes que são responsáveis pela produção de enzimas que metabolizam os medicamentos. Após esse processo, o paciente deverá acessar uma plataforma digital e colocar todas as suas informações sobre uso de medicamentos, estilo de vida e hábitos de consumo, para que sejam processadas em tempo real junto às informações da análise genética.  

Esta plataforma pode ser atualizada pelos próprios pacientes e médicos sempre que houver necessidade de alteração. Todos os dados são guardados por uma inteligência artificial, então sempre que novos conhecimentos da ciência forem incorporados, você poderá prontamente atualizar o seu laudo, por tempo indeterminado 

O diagnóstico encontrado pelo exame pode resultar em metabolismo normal, acelerado, muito acelerado, lento ou ultralento. O laudo é apresentado em relatórios e gráficos intuitivos, que indicam o perfil metabólico e permite a simulação se determinado medicamento trará o resultado esperado. 

Publicado por: Dr. Leandro Brust

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